Número de mortos na crise fronteiriça de Ceuta sobe para 75

Número de mortos na crise fronteiriça de Ceuta sobe para 75

O Governo espanhol anunciou ainda que 70.000 dos 72.000 migrantes que entraram em Ceuta já regressaram a Marrocos.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Violeta Santos Moura - Reuters

O ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, informou esta terça-feira aos seus homólogos da UE, numa videoconferência, que o número provisório de mortos na crise migratória da semana passada no enclave espanhol de Ceuta aumentou para 75.

Marlaska confirmou ainda que foram cerca de 72.000 as pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular em 24 horas na semana passada, sendo que 70.000 já voltaram a Marrocos.

Em conferência de imprensa em Madrid, o ministro afirma que a Espanha está "em processo de resolução" da situação relativamente às pessoas que continuam em Ceuta, asseverando que aqueles que não têm o direito de permanecer no país serão devolvidos a Marrocos.

Marlaska deixou ainda claro que o espaço Schengen da União Europeia "não foi de forma alguma comprometido" pela crise, sem "nenhum movimento secundário”.

"O Espaço Schengen nunca esteve em perigo, nem sequer em perigo mínimo", salientou, respondendo às fortes críticas de vários líderes europeus.

“Nenhuma pessoa pode sair de Ceuta sem um controlo efetivo de documentos, incluindo os próprios cidadãos da União Europeia”, disse Marlaska, recordando que Ceuta tem um regime especial em Schengen desde 1991.

Marlaska disse ainda que o Governo espanhol não recebeu "qualquer relatório nem aviso" de que "algo parecido ao que aconteceu" na quinta-feira da semana passada em Ceuta poderia ocorrer, como sugeriu um alto funcionário marroquino.

O ministro afirma que, se tivesse havido qualquer aviso ou sinal de uma chegada massiva de pessoas, teria havido uma comunicação muito mais próxima nos mais altos escalões do Governo espanhol.

Marlaska esclareceu também que os planos para expandir a infraestrutura da fronteira marítima já estavam em vigor antes da crise da semana passada.

Os ministros da Administração Interna dos Estados-membros da UE estiveram reunidos esta terça-feira por videoconferência. Os ministros concordaram em reforçar as fronteiras e os "mecanismos de regresso" de migrantes e garantiram estar unidos e prontos para apoiar Espanha na crise de Ceuta.
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